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A rota da indústria para proteger operações essenciais sem travar a inovação

Por: Daniel Morales     

A transformação digital mudou a forma como a indústria enxerga o próprio funcionamento e hoje, os dados são considerados ativos estratégicos de altíssimo valor. No entanto, para que esses dados se transformem em inteligência e vantagem de mercado, é crucial superar uma fronteira histórica entre a Tecnologia da Informação (TI) e a Tecnologia Operacional (TO).

Impulsionada pela crescente importância dos dados para os negócios, essa convergência vem aproximando áreas que historicamente atuavam de forma mais independente. Hoje, dados provenientes de sistemas corporativos, sensores e plataformas industriais, além de aplicações baseadas em inteligência artificial, integram um mesmo ecossistema, tornando a colaboração cada vez mais necessária.

O desafio de unir essas duas áreas é, antes de tudo, organizacional e cultural. No contexto da cibersegurança, as áreas de TI e TO foram estruturadas com prioridades distintas. A TI atua no ambiente corporativo e prioriza a confidencialidade e a proteção dos dados, enquanto a TO atua na operação industrial, concentrando seus esforços na disponibilidade e confiabilidade das informações, bem como na continuidade segura e eficiente dos processos produtivos.

A complexidade dessa integração se intensifica com o fato de que as tecnologias industriais são projetadas para durar décadas.  Nesse contexto, qualquer atualização exige uma avaliação criteriosa dos impactos operacionais e pode demandar, inclusive, paradas programadas de manutenção. Além disso, na indústria, um incidente cibernético não se limita ao ambiente digital. Dependendo de sua abrangência, ele pode impactar equipamentos, interromper processos produtivos, afetar a continuidade operacional e gerar incidentes de segurança das operações e pessoas, causando consequências relevantes para o negócio.


Quando olhamos para a América Latina, especialmente para as empresas que operam infraestruturas críticas, observamos um mercado com um bom nível de maturidade, incluindo fornecedores de tecnologias e serviços de cibersegurança. Em geral, há consenso sobre os principais desafios e uma visão clara das ações necessárias para avançar. Além disso, novos temas já fazem parte da agenda do setor, considerando os impactos de tecnologias emergentes, como a inteligência artificial e a computação quântica.

A principal resposta das organizações para enfrentar os desafios de cibersegurança têm sido a construção de modelos robustos de governança integrada entre TI e TO. Impulsionadas por movimentos regulatórios voltados à proteção de infraestruturas críticas e à gestão de riscos cibernéticos, as empresas estão elevando a cibersegurança ao nível estratégico dos negócios. A preparação envolve o apoio direto da alta liderança para promover maior alinhamento entre as áreas, condução de auditorias conjuntas em TI e TO, simulações de incidentes, testes de penetração, capacitação continuada, campanhas de conscientização e, principalmente, o fortalecimento do vínculo da cibersegurança da TO com a Segurança dos processos produtivos.

Quando essa estrutura de governança se consolida, os benefícios da convergência entre TI e TO tornam-se ainda mais evidentes. Integrar todas as fontes de dados relevantes para o negócio é o que permite à indústria explorar com segurança o poder da inteligência artificial. 

Na prática, a IA aplicada de forma segura a um ambiente integrado viabiliza soluções como manutenção preditiva, otimização de processos, monitoramento operacional, controle de qualidade e gestão energética de maneira muito mais inteligente. Para o negócio, os resultados se traduzem em redução de custos operacionais, aumento da disponibilidade de ativos, maior eficiência no uso de recursos e ganhos consistentes de produtividade.

No fim das contas, integrar TI e TO não significa eliminar as particularidades de cada área, mas criar mecanismos consistentes de colaboração. Para a indústria, integrar cibersegurança, dados e inovações como a IA deixou de ser uma opção técnica. Hoje, é um passo fundamental para fortalecer a resiliência operacional, acelerar a transformação digital e ampliar a competitividade em um mercado cada vez mais conectado e dinâmico.

*O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.

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Daniel Morales

Mestre em Engenharia Elétrica pela Unicamp, com MBA em Gestão de Empresas pela ESPM e especialização em Ciência de Dados pela USP. Possui 29 anos de experiência em automação industrial, com atuação nos setores de manufatura, químico e petroquímico, incluindo vivência internacional. Atualmente, é Gerente Corporativo de Automação da Braskem, liderando iniciativas globais voltadas à transformação digital dos ativos industriais da companhia, com foco em eficiência operacional, inovação tecnológica e digitalização.

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