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Canal Indústria 4.0

Diferenças operacionais na Indústria 4.0

Alguns pontos tornam-se mais relevantes que outros em função do tipo específico de cada indústria e de seu respectivo processo operacional

Por: Pietro Perrone      Exclusiva

Apesar da enorme evolução da indústria metalúrgica ocorrida nos últimos cem anos, ainda prevalecem várias características básicas operacionais, independentemente de qual seja sua modalidade. Foi um período de forte desenvolvimento tecnológico, no qual toda a indústria metalúrgica, de qualquer geração, foi beneficiada de alguma maneira, tanto no lado técnico quanto no operacional.

Temos, basicamente, três importantes modalidades dentro do segmento industrial:

  • De base – produz as matérias-primas.
  • De bens intermediários – produz peças e equipamentos.
  • De bens de consumo – produz produtos para o consumo.

Apesar de todas essas modalidades manterem a mesma essência operacional de uma indústria, cada uma delas requer um gerenciamento específico e um foco diferenciado, principalmente quando tratamos de uma Indústria Inteligente.

Alguns pontos tornam-se mais relevantes que outros em função do tipo específico de cada indústria e de seu respectivo processo operacional, como descrito abaixo.

Indicadores

A principal diferença aparece logo no início do planejamento da Cadeia Produtiva, quando os principais indicadores devem ser definidos e elaborados de maneira específica, conforme sua modalidade operacional. Uma indústria de base, que fabrica lingotes de alumínio, pode ter indicadores de consumo de energia mais dinâmicos que uma indústria de montagem de eletrodomésticos, por exemplo.

Enquanto na indústria de base a quantidade produzida por quilowatt gasto é primordial, na de bens intermediários os indicadores podem se voltar ao gerenciamento de pesos e medidas como prioridade, acompanhada pela performance de peças aprovadas por período ou pela evolução dos custos de pós-venda.

Na indústria de bens de consumo, os indicadores devem atuar na qualidade assegurada do produto e nos parâmetros exigidos pelas certificações de qualidade. Na maioria dos casos, nessa modalidade de indústria, os controles de estoque e a certificação de fornecedores também são indicadores primordiais.

Sistema Operacional

Aqui também temos particularidades significativas a serem aplicadas em cada caso, apesar da existência de diversas outras especificidades em Cadeias Produtivas específicas. Conforme a configuração dos diferentes indicadores operacionais, definidos no gerenciamento da Cadeia Produtiva, surgem vários diferenciais, como prioridades de entrada e saída de dados, agilidade no fluxo de informações, diferentes planos de manutenção e contingenciamentos de maneira geral.


Todos os aspectos operacionais, tanto nos fluxos de materiais quanto nos processos principais e secundários, devem ser gerenciados de maneira apropriada dentro do Sistema Operacional, mantendo sempre seu objetivo principal.

Plano de Manutenção e Utilidades

Aqui teríamos planos totalmente diferentes para cada modalidade de indústria, com recursos direcionados para cada aplicação. Uma máquina injetora de alumínio requer uma estrutura operacional totalmente diferente de um forno de fusão com alta capacidade de processamento, pois estamos falando de equipamentos distintos e com características específicas de operação. O fator “disponibilidade de capacidade” também influencia o plano de manutenção, em função dos valores de aquisição dos equipamentos para cada tipo de indústria.

Movimentação interna de materiais e equipamentos

Diria que aqui temos o maior calcanhar de Aquiles entre as três modalidades em pauta pois, apesar de se tratar de processos secundários, a movimentação demanda uma série de investimentos e cuidados específicos que, muitas vezes, chegam a inviabilizar determinados projetos. Uma liga de alumínio, após derretida, deve ser lingotada imediatamente; portanto, a estrutura necessária para isso é bem diferente da utilizada para uma latinha de alumínio recém-repuxada, que deve ser paletizada.

Nas Cadeias Produtivas mais verticalizadas, certamente teremos a convivência de modalidades diferentes operando dentro do mesmo Sistema Operacional, e, muitas vezes, dentro da mesma fábrica. Portanto, fica explícita aqui a necessidade de adaptação do ambiente industrial conforme seus processos e tecnologias.

Os casos mais comuns acontecem naquelas indústrias que, além de montar seus produtos, também fabricam suas peças; nesse caso, temos a modalidade de bens intermediários operando juntamente com a modalidade de bens de consumo.

Nas indústrias de base, existe a necessidade de características muito distintas das demais; portanto, uma operação conjunta, dentro do mesmo parque fabril, poderia se tornar totalmente inviável. Seria como o fabricante de alumínio produzindo suas próprias latinhas ou o fabricante de borracha fabricando seus próprios pneus dentro das mesmas unidades.

As diferenças operacionais da Indústria 4.0 devem ser planejadas e avaliadas minuciosamente em cada passo de sua Cadeia Produtiva, e não cabe aqui o famoso “jeitinho brasileiro”.

Respeite as diferenças operacionais, lembrando que o ótimo é inimigo do bom!

*Imagem de capa: Depositphotos.com

*O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.

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Pietro Perrone

Pietro Perrone

Indústria Inteligente


  • Mais de 45 anos de comprovada experiência em indústrias multinacionais, ocupando posições de Presidente, Vice-Presidente, Diretor Industrial, Gerente de Manufatura, Engenheiro de Manufatura, Gerente de Engenharia de Manufatura, Gerente de Produção.

  • Especialista em ambientes industriais de grande, médio e pequeno porte, engenharia e desenvolvimento de produto, manufatura, ferramentaria e manutenção/facilidades, programas de qualidade e certificações, planejamento e controle de produção, controle de estoques e compras.

  • Gerenciamento de projetos de específicos para desenvolvimento de novos negócios, restruturações de negócios e empresas, lançamento de novos produtos e evidente liderança multidisciplinar dos times envolvidos.

  • Sólidos conhecimentos nas áreas de Vendas e Marketing, Administrativo, Financeiro, Logística e Distribuição, Custos e Preços, Margens Operacionais e Contribuição.

  • Conhecimento das novas tecnologias Digitais para Gestão de Empresas.

Acompanhe a coluna de Pietro Perrone e confira outros artigos sobre Manufatura Aditiva e Indústria 4.0.

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