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Brasil segue sem avançar no ranking mundial de competitividade digital

Falta de conhecimento técnico figura entre os principais desafios do país para ascender no contexto da transformação digital

Por: Redação CIMM      20/12/2023 

Implementar novas tecnologias para avançar na transformação digital é importante, mas investir na formação de capital humano é mais importante ainda. Essa é a percepção que o Anuário de Competitividade Digital do International Institute for Management Development (IMD), feito em parceria com o Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral (FDC).

De acordo com a pesquisa, dos 64 países analisados, o Brasil ocupa o (57º) lugar, mesma posição ocupada nos anos de 2018 e 2019. O estudo também revela que houve uma piora em indicadores específicos, como o uso de big data e analytics (61º), falta de capital para desenvolvimento tecnológico (62º), ambiente regulatório (58º), experiência internacional da força de trabalho (63º) e estratégias de gestão das cidades para apoiar o desenvolvimento de negócios (61º) .

O 1º lugar do ranking foi ocupado pelos Estados Unidos, seguido por Holanda (2º), Singapura (3º), Dinamarca (4º) e Suíça (5º). As últimas posições ficaram com Botswana (60º), Argentina (59º) , Colômbia (62º), Mongólia (61º) e Venezuela (64º).

Capital e ambiente regulatório

De acordo com a pesquisa, para o Brasil melhorar sua competitividade digital é preciso disponibilidade de capital para investimentos de risco e desenvolvimento tecnológico. Logo, iniciativas de cooperação entre a atividade empresarial e científica se apresentam como oportunas.

Segundo a análise, apesar das aprovações do Marco Legal das startups e da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, é preciso avançar na modernização do framework regulatório brasileiro para que sejam estabelecidas leis adequadas às necessidades e especificidades do contexto de desenvolvimento tecnológico contínuo.


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A adoção de tecnologias digitais expõe novos dilemas e complexidades que não estão amparadas completamente no ambiente regulatório atual, como, por exemplo, a existência de vieses discriminatórios em algoritmos de processamento, direitos de imagem para uso em imagens geradas por IA generativa e novos ativos digitais que não estão sujeitos à intermediação de órgãos existentes.

Uso de inteligência artificial

Segundo o Fórum Econômico Mundial, 74% das organizações devem adotar inteligência artificial (IA) em seus negócios até 2027. Isso ocorre, sobretudo, devido ao avanço da popularização da IA com capacidade de processamento de linguagem natural.

Nesse contexto, o uso de IA e analytics a partir do big data se apresentam como ferramentas com inúmeras aplicações para ganho de competitividade por empresas e economias, desde a transformação completa de processos, como oferta de produtos e serviços que possuem a inteligência artificial como cerne da proposta de valor.

No Brasil, é necessário a construção de uma agenda com maiores esforços já que, a falta do uso de big data e analytics (61º) está entre um dos piores indicadores do país.

Educação digital

A falta de habilidades digitais e tecnológicas também ocupa uma posição que merece atenção (62º). Além disso, no Brasil, estima-se que 44% das habilidades dos trabalhadores sejam alteradas nos próximos 5 anos e que 60% da atual força de trabalho demande treinamentos. 

Considerando isso, empresas devem adotar uma agenda para upskilling (aprimorar competências existentes) e reskilling (competências totalmente novas), para que consigam operar no novo contexto de transformação digital.

A educação digital é essencial não apenas para que a base da população seja capaz de ingressar no mercado de trabalho, mas também para que a atual força de trabalho seja capaz de atender às novas necessidades do contexto de transformação digital.

Mão de obra qualificada

O Brasil ficou em último colocado em relação a talentos (64º), com destaque no menor desempenho dos indicadores relacionados à experiência internacional de gestores seniores (63º), presença de mão de obra estrangeira qualificada (61º) e estratégias de gestão de cidades para o desenvolvimento de negócios (61º).

Segundo o estudo, a análise considera o contexto atual de aumento de competitividade por mão de obra qualificada entre países de alta e de baixa renda, conforme destacado no Índice Global de Competitividade de Talentos elaborado pelo Insead em 2023. O Relatório ainda ressalta a importância das cidades em reter talentos em suas comunidades, diante da continuidade do êxodo rural, com projeções para 70%, em 2030, no mundo todo.

Com isso, é imprescindível a criação de iniciativas para que as cidades brasileiras sejam atrativas para o estabelecimento de negócios e atração de talentos.

Plano estratégico 

No Brasil, segundo o estudo, sugere-se a criação de um plano estratégico de longo prazo, tanto na perspectiva de governo, quanto das organizações. Temas relacionados às necessidades de financiamento para o desenvolvimento tecnológico, revisão do ambiente regulatório, uso correto de dados, formação de equipes com novas habilidades para o digital e novos talentos são fatores imprescindíveis para o avanço do Brasil no ranking de competitividade digital. Portanto, é fundamental pensar em talentos e na formação de pessoas para a transformação digital. 

Destaques positivos

Embora o estudo tenha trazido diversos pontos de atenção, há também indicadores positivos que o Brasil está ocupando. São eles:

  • Total de gastos público em educação (12º)
  • Representatividade feminina em pesquisas científicas (17º)
  • Produtividade de publicações por pesquisas (7º)
  • Adoção da robótica na educação e em P&D (17º)
  • Uso de serviços públicos online pela população (11º)

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