Logomarca Indústria 4.0

Indústria manufatureira será uma das mais impactadas pela IA em 2024

Simulações virtuais usando realidade estendida (XR) e tecnologia digital twin para projetar, desenvolver e testar protótipos e processos de fabricação também serão importantes, indica pesquisa global do IEEE

Por: Elaine Barroso/ Especial CIMM e Ind4.0      Exclusiva 18/12/2023 

Inteligência Artificial (IA) em suas várias formas será a área mais importante de tecnologia em 2024, isso é o que aponta a nova pesquisa global do Instituto dos Engenheiros Eletrônicos e Eletricistas (IEEE).O levantamento ouviu 350 executivos de tecnologia em cinco países, incluindo Estados Unidos e Brasil.

Segunda a pesquisa, em 2024 haverá aplicações e algoritmos de IA mais sofisticados que vão otimizar dados, executar tarefas complexas e tomar decisões com precisão semelhante à humana.

Os entrevistados quando questionados sobre quais serão os principais usos da IA em 2024, apontaram: o auxílio na aceleração de desenvolvimento de software e automatização do atendimento ao cliente, marcando (38%), aumento da eficiência na cadeia de suprimentos e na automação de armazéns com (42%) e (57%) na identificação e prevenção de vulnerabilidades de cibersegurança em tempo real e prevenção de ataques.

Além da IA, os especialistas em tecnologia também destacaram simulações virtuais usando realidade estendida (XR) e tecnologias digital twin para projetar, desenvolver e testar protótipos e processos de fabricação de forma eficiente e segura. 63% consideram muito importante e 29% de certa forma importante.

Leia também: Série Especial Simulação na Manufatura Inteligente

Setores impactados pela IA 

De acordo com o estudo do IEEE, os cinco principais setores mais impactados pela tecnologia em 2024 serão:

  • Telecomunicações (41%, contra 40% em 2023);
  • Manufatura (39%, contra 30% em 2023);
  • Serviços bancários e financeiros (39%, contra 33% em 2023);
  • Setor automotivo e transporte (31%, contra 39% em 2023);
  • Energia (31%, contra 33% em 2023).

Na manufatura, que figura entre a segunda área mais impactada, o resultado está relacionado mais ao desempenho do setor em si, que segundo Euclides Lourenço Chuma, membro senior do IEEE, está entre os setores que mais agregam valor à sociedade. Para o especialista, a IA e o setor de telecomunicações 5G são duas tecnologias que vão beneficiar diretamente o setor de manufatura.


Continua depois da publicidade


“A IA está muito ligada a resolver problemas complexos, principalmente problemas de eficiência. Para melhorar a eficiência do processo, a IA artificial pode ajudar a produzir mais com menos. Mesmo porque, é uma necessidade da humanidade reduzir os impactos ambientais e, consequentemente, minimizar os danos causados pelas mudanças climáticas”, diz Chuma, acrescentando que, “as indústrias de manufatura têm buscado implementar mais a IA, principalmente, as de alta tecnologia. Nelas é mais fácil ter maior valor agregado e é mais simples implementar essas mudanças por estar num ambiente digital”.

5G (22%), Realidade Estendida (20%) e Internet Industrial das Coisas (IoT) (19%) estão entre as tecnologias mais importantes para o próximo ano. Uma das principais razões para isso, segundo o profissional, é que o  5G e outras tecnologias de telecomunicações estão buscando uma maior eficiência não só na quantidade de dados que estão sendo transmitidos, mas também no consumo de energia.

Produzir mais com menos X sensores de CO²

No caso das indústrias, a ideia de usar um sensor de CO², por exemplo, é para locais onde não são monitorados por que se utilizar nas esteiras, que já possuem sensores, não seria bem um conceito de IoT ou de Indústria 4.0 e 5.0.

De acordo com Chuma, no chão de fábrica dá para detectar uma máquina que esteja fora do padrão de vibração, ou seja, que não é compatível com a operação dela. “Existem sensores para isso, só que são tecnologias mais caras. Então é por isso que o setor de telecomunicações com menor consumo como o 5G e o 6G também são apontados como importantes”.

5G, eficiência energética e redução de impactos ambientais 

A eficiência energética tem sido um problema segundo o especialista, porque antigamente a bateria de um nokia, por exemplo, durava algumas semanas. Hoje em dia dura um ou dois. “Nós estamos tentando sempre melhorar a eficiência entre banda, conectividade e consumo de energia. Então, para a indústria é muito interessante isso, poder instalar sensor de co2 (dióxido de carbono). Aqui no Brasil não é comum, mas lá fora qualquer lugar tem que ter, e a bateria dura em torno de 5 anos, os melhores 10 anos”.

A pesquisa aponta, também, que áreas de fabricação/montagem, redução da pegada de carbono e eficiência energética estão entre os mais beneficiados pelo 5G em 2024. Para o membro do IEEE, na hora de responder as perguntas os entrevistados certamente pensaram na importância de um melhor desempenho.

“Com mais sensores é possível monitorar melhor o que está acontecendo e reduzir o consumo de materiais, de energia e aumentar a produtividade. Cria-se uma  rede de sensores para verificar a vibração das máquinas, nas indústrias mais novas, isso é mais comum”.

Com sensores é possível monitorar outros parâmetros do ambiente da indústria como, temperatura, umidade do ar e todos os tipos de gases que possam afetar o processo de produção. É um ambiente que já é monitorado, mas a intenção com o 5G é colocar mais dispositivos conectados, formando uma rede com muito mais pontos.

Além disso, Chuma acredita que as tecnologias que estimulam a sustentabilidade estão em super em alta por uma questão de necessidade. “É necessário fazer isso porque senão a longo prazo não vai dar certo, o produto vai ser trocado por outro mais eficiente, ou por uma questão de regulamentação como acontece no Brasil, de ter que obter o selo de eficiência energética, que já é uma iniciativa antiga do Inmetro”.

“A questão da eficiência energética na indústria eletroeletrônica é tão latente que na Europa não estão vendendo TV 8k, porque o índice de Eficiência Energética da União Europeia determina o consumo máximo de aparelhos na região e, nenhum dispositivo Full HD deve ultrapassar a marca de 0,90 de consumo dentro desse índice”. 

De acordo com uma publicação do UOL, nenhuma televisão 8k consegue respeitar esse limite, sendo que, em alguns casos, pode chegar a consumir quatro vezes mais energia que o valor determinado, que é cerca de 460 W. Que acarreta em alto consumo de energia, mais despesas e o desperdício de recursos naturais”. No Brasil, Chuma acredita que o próximo passo do governo é restringir a venda também.

Maior valor agregado 

Para Euclides, na indústria, como ela gera capital, o maior desafio é fazer produtos e equipamentos com um valor agregado compatível com o que está sendo produzido. “Porque existem máquinas eficientes e incríveis, mas muitas vezes caras também. Daí fica restrito a um nicho da indústria. A indústria de manufatura é para gerar capital, um bem de consumo ou um bem permanente. Então, sempre vai ter essa avaliação do quanto vai ser gasto e do quanto vai ser o benefício deste retorno”, observa o membro senior do IEEE.

De acordo com especialista, na manufatura automotiva a eletrificação e o hidrogênio verde estão sendo bastante discutidos no Brasil. "Com o hidrogênio verde é possível fazer poucas modificações nos motores atuais, já na eletrificação é necessário começar do zero, mas eletrificação no setor automotivo é algo que já está acontecendo, alguns lugares já têm uma boa infraestrutura para veículos elétricos”, completa.

De maneira geral, segundo o especialista,  IA será utilizada na indústria para modernizar processos logísticos, melhorar a qualidade de produtos com sistema de visão computacional e obter vantagens competitivas.

 

*Imagem de capa: Depositphotos

Gostou? Então compartilhe: