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O novo gestor da indústria 4.0

O gestor de uma Indústria Inteligente deve obrigatoriamente se concentrar em gerenciar o desempenho do sistema produtivo

Por: Pietro Perrone     

Vou iniciar esta edição recorrendo a uma analogia para demonstrar, de forma prática, qual deve ser o verdadeiro perfil de um gestor cujo objetivo é conduzir uma Fábrica Inteligente 4.0.

Mais do que dominar tecnologias, sistemas ou equipamentos, esse gestor precisa ser capaz de enxergar, compreender e administrar o processo como um todo. Sua principal responsabilidade não está em executar as operações, mas em criar as condições para que elas aconteçam de forma previsível, eficiente e sustentável.

Para entender melhor esse papel, podemos recorrer a uma situação conhecida por todos: o piloto de uma aeronave durante a aterrissagem. É justamente nesse momento que sua capacidade de gestão, percepção e tomada de decisão precisa estar mais concentrada no processo e em seus resultados.

Durante uma aterrissagem, o piloto de uma aeronave tem seu foco totalmente voltado para a segurança e a precisão do toque na pista, mantendo o controle da trajetória, da velocidade e da energia.

Entre todos os indicadores disponíveis no equipamento, ele segue apenas aqueles que realmente lhe interessam nessa hora. São eles:

  1. Trajetória — estar alinhado na rampa correta de aproximação.
  2. Velocidade — velocidade de aproximação dentro dos parâmetros.
  3. Altitude e distância — saber exatamente onde está em relação à pista.
  4. Condições externas — vento, chuva, visibilidade e estado da pista.
  5. Configuração da aeronave — trem de pouso, flaps e demais ajustes.
  6. Ponto de toque — garantir que o avião toque dentro da zona adequada.
  7. Plano de contingência — se a aproximação não estiver estabilizada, arremeter é uma opção normal e prevista.

O piloto não olha para cada instrumento com a mesma importância. Ele utiliza dezenas de informações, mas mantém o foco no resultado crítico: uma aproximação e um pouso seguros.


Na gestão operacional de uma Indústria Inteligente, deve acontecer algo semelhante: o gestor não deve se perder na enorme quantidade de dados disponíveis, e sim identificar os indicadores críticos que determinam o desempenho da operação e agir sobre eles imediatamente, quando necessário.

Assim, comparando as duas situações descritas acima:

  • No avião: Dados dos instrumentos → interpretação → decisão → correção → pouso seguro.
  • Na Indústria Inteligente: Dados da operação → interpretação → decisão → correção → resultado planejado.

O gestor é aquele elemento cuja competência e capacidade devem ser suficientes para transformar a tecnologia disponível em resultados.

Apesar da enormidade de dados que a tecnologia lhe disponibiliza, deve ser também disciplinado o suficiente para definir seu foco de atuação dentro daquele sistema operacional.

A tecnologia sustenta a gestão, não a substitui; portanto, não basta saber instalar sensores, automatizar máquinas ou utilizar inteligência artificial: é necessário saber integrá-la aos processos e às pessoas, dentro de uma estratégia preestabelecida.

O gestor de uma Indústria Inteligente deve obrigatoriamente se concentrar em gerenciar o desempenho do sistema produtivo e evitar se envolver em evidências que orbitam seu foco.

Ao meu entender, estas três funções são básicas e imprescindíveis para gerir uma cadeia produtiva com eficácia:

  1. Desempenho da operação: A gestão deve acompanhar, de forma integrada e em tempo real, os principais indicadores, com o objetivo firme de converter toda a capacidade produtiva em resultado operacional.
  2. Processos: A gestão deve garantir que todos os processos operacionais foram propriamente desenvolvidos, automatizados e digitalizados. Não adianta automatizar nem digitalizar dados irrelevantes e desperdícios.
  3. Pessoas: A gestão deve ter a capacidade de mudar as competências e a cultura operacional, bem como delegar as responsabilidades e as tomadas de decisão aos seus colaboradores.

Na minha experiência, quando uma cadeia produtiva apresenta desempenho abaixo do planejado, a investigação deve necessariamente passar por esses três elementos: desempenho, processos e pessoas.

Seria bom lembrar que, na Indústria convencional, as empresas buscavam automatizar as tarefas e, hoje, na Indústria 4.0, o foco maior está na integração e no gerenciamento em tempo real do sistema operacional.

Na indústria inteligente, o volume de informações disponíveis é enorme e cresce em uma velocidade cada vez maior. Por isso, a capacidade de reação e tomada de decisão precisa acompanhar esse mesmo ritmo. Estamos, portanto, diante de uma importante evolução no perfil do gestor e de cada um de seus assessores.

A Indústria 4.0 oferece conectividade, automação e inteligência. No entanto, a gestão, a capacidade de análise e a tomada de decisão são os fatores que transformam todas essas ferramentas em desempenho, eficiência e resultados concretos.

Quanto mais inteligente for a indústria, mais prático e objetivo deve ser o gestor.

*Imagem de capa: Depositphotos.com

*O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.

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Pietro Perrone

Pietro Perrone

Indústria Inteligente


  • Mais de 45 anos de comprovada experiência em indústrias multinacionais, ocupando posições de Presidente, Vice-Presidente, Diretor Industrial, Gerente de Manufatura, Engenheiro de Manufatura, Gerente de Engenharia de Manufatura, Gerente de Produção.

  • Especialista em ambientes industriais de grande, médio e pequeno porte, engenharia e desenvolvimento de produto, manufatura, ferramentaria e manutenção/facilidades, programas de qualidade e certificações, planejamento e controle de produção, controle de estoques e compras.

  • Gerenciamento de projetos de específicos para desenvolvimento de novos negócios, restruturações de negócios e empresas, lançamento de novos produtos e evidente liderança multidisciplinar dos times envolvidos.

  • Sólidos conhecimentos nas áreas de Vendas e Marketing, Administrativo, Financeiro, Logística e Distribuição, Custos e Preços, Margens Operacionais e Contribuição.

  • Conhecimento das novas tecnologias Digitais para Gestão de Empresas.

Acompanhe a coluna de Pietro Perrone e confira outros artigos sobre Manufatura Aditiva e Indústria 4.0.

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