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Canal Indústria 4.0

Automação em 2026: entre a maturidade do setor e as promessas que não se concretizaram neste ano

A realidade operacional revelou lacunas importantes entre expectativa e capacidade de execução das empresas

Por: Fernando Baldin     

Nos últimos anos, a automação deixou de ser um tópico restrito às áreas de TI para se tornar um eixo estratégico em praticamente todas as organizações que buscam competitividade. A combinação entre Automação Robótica de Processos (RPA), inteligência artificial (IA) e hiperautomação prometia transformar 2025 em um ano de virada para o setor. No entanto, a realidade operacional revelou lacunas importantes entre expectativa e capacidade de execução das empresas.

Uma das grandes frustrações de 2025 foi a crença de que a IA generativa substituiria rapidamente grande parte dos fluxos de automação tradicionais. Muitas empresas projetaram que a GenAI assumiria processos ponta a ponta com mínima supervisão humana. Mas o que vimos foi um amadurecimento mais lento que o esperado, modelos de IA até evoluíram, mas a estabilidade, governança, custo de treinamento e requisitos de segurança se mostraram desafios maiores do que o mercado planejou enfrentar. Em vez de substituir o RPA, a IA passou a coexistir com ele, e em muitos cenários, a depender dele para garantir confiabilidade.

O que realmente mudou foi a consciência corporativa, onde a automação deixou de ser vista como uma coleção de robôs executando tarefas isoladas. As empresas que avançaram em 2025 foram justamente as que desenvolveram catálogo de processos, governança, observabilidade e integração profunda com sistemas legados. Sem isso, qualquer promessa de hiperautomação permanece apenas no papel.

Entrando em 2026, vejo três movimentos que devem redesenhar o mercado

  • Consolidação do conceito de automação de ciclo fechado, conectando captura de dados, decisões inteligentes e execução: Aqui, o papel da IA muda, ela deixa de ser uma promessa e passa a ser um componente mensurável dentro de fluxos auditáveis e resistentes a falhas.
  • Avanço da automação orientada a eventos: Esse modo supera o tradicional “gatilho por agendamento” e permite respostas mais rápidas a anomalias, riscos e oportunidades. Isso muda drasticamente a dinâmica operacional, especialmente em setores regulados.
  • Expansão da automação para áreas que historicamente eram contra a padronização: Depois de anos de áreas, como jurídico, compliance, operações de campo e atendimento altamente especializado, automatizarem o “óbvio”, chegou a vez dos processos mais densos ganharem destaque, onde a combinação entre IA, RPA e automação conversacional finalmente entrega resultados.

2026 não será o ano do hype, mas o ano da maturidade operacional

As empresas deixarão de perguntar “qual tecnologia usar?” para questionar “qual problema resolver” e “qual arquitetura sustenta esse processo nos próximos cinco anos?”. E essa mudança de mentalidade, mais do que qualquer recurso técnico, será o verdadeiro motor de transformação.


As organizações querem previsibilidade, Retorno Sobre Investimento (ROI) consistente e automações que sobrevivam à vida real, considerando atualizações, incidentes e mudanças de estratégia. Isso exige plataformas robustas, mas sobretudo, uma cultura que entenda que automação não é um destino, e sim uma jornada contínua de aprendizado.

O setor chega a 2026 mais pragmático, consciente e técnico. Talvez não tenhamos cumprido todas as metas grandiosas de 2025 e tudo bem, o que importa é que estamos finalmente construindo a infraestrutura mental e tecnológica para que a automação seja parte orgânica das empresas e não apenas um projeto da moda.

Se 2025 foi o ano em que o mercado aprendeu a calibrar suas expectativas, 2026 será o ano em que a automação provará, definitivamente, o seu valor estratégico.

Imagem de capa: Depositphotos.com

*O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.

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Fernando Baldin

Country Manager LATAM na AutomationEdge, com mais de 25 anos de experiência nas áreas de Gerência Comercial, Recursos Humanos, Inovação e Operações. Ao longo de sua trajetória, liderou iniciativas estratégicas de transformação organizacional em empresas de grande porte. Conta com diversas certificações de alto nível, como ITIL V3 Expert, ITIL Manager e HDI KCS, além de atuar como membro do conselho consultivo estratégico do Help Desk Institute.