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Canal Indústria 4.0

Como a indústria pode ajudar os agentes: o próximo passo da revolução da inteligência artificial

A nova era da inteligência autônoma

Por: Ederson Almeida      Exclusiva

A inteligência artificial vive um novo capítulo. Depois da ascensão da inteligência artificial generativa (GenAI), que aprendeu a criar textos, imagens e códigos a partir de comandos humanos, o mundo corporativo se prepara para o avanço seguinte: a inteligência agentiva (Agentic AI). Diferente dos sistemas reativos que respondem a perguntas, os agentes são entidades digitais autônomas que planejam, decidem e executam tarefas com base em metas — e não apenas em instruções.

Relatórios recentes de líderes globais como Microsoft (2025), McKinsey (2025), Accenture (2025), Infosys (2025), KPMG (2025) e AWS (2025) convergem em um ponto: a Agentic AI representa o início da Era das Empresas Cognitivas, em que máquinas e pessoas passam a colaborar em ciclos contínuos de aprendizado e execução.

Mas há uma mudança de perspectiva necessária: se antes perguntávamos “como os agentes podem ajudar a indústria?”, agora é hora de refletir sobre “como a indústria pode ajudar os agentes?”.

De sistemas inteligentes a ecossistemas inteligentes

Os agentes precisam de muito mais do que dados para funcionar — precisam de ambientes industriais inteligentes, com sistemas integrados, processos rastreáveis e dados confiáveis. Sem essas condições, os agentes agem como pilotos em neblina: têm potencial, mas não têm visibilidade.

A indústria, portanto, tem um papel ativo em criar as condições para que a IA agentiva floresça:

  1. Digitalizar e integrar operações – Máquinas, sensores e sistemas ERP precisam conversar. Um agente só é eficaz se puder observar, planejar e agir em um ecossistema conectado.
  2. Padronizar e rotular dados industriais – A qualidade da decisão dos agentes depende da consistência dos dados de origem. Aqui, a experiência da engenharia industrial é essencial.
  3. Compartilhar contexto operacional – Processos produtivos variam enormemente entre plantas e setores. Fornecer contexto aos agentes é o que permite gerar recomendações específicas e úteis.
  4. Adotar políticas de governança e segurança de IA – Os agentes devem operar sob os mesmos princípios que as pessoas: responsabilidade, transparência e ética.

Em outras palavras, a indústria precisa se tornar um ambiente de aprendizagem para os agentes — um laboratório vivo onde dados e decisões retroalimentam a inteligência coletiva das máquinas e das pessoas.

O papel estratégico dos engenheiros e gestores

No modelo tradicional de automação, o humano programava e a máquina executava. Na era agentiva, essa lógica se inverte parcialmente: o humano define a intenção, e o agente descobre a melhor forma de cumpri-la. Isso exige uma nova função dentro das fábricas e dos escritórios: o arquiteto de agentes (Agent Architect).


Este profissional atua como tradutor entre o negócio e a inteligência, combinando visão estratégica, conhecimento de processos e domínio tecnológico. É ele quem desenha fluxos, define limites de atuação dos agentes e cria mecanismos de supervisão, garantindo que a autonomia seja produtiva — e não caótica.

Empresas como a KPMG (2025) e a Accenture (2025) já destacam esse papel como central na “governança da autonomia”, conceito que busca equilibrar liberdade de ação dos agentes com controle e segurança organizacional.

De usuários a coautores da IA

Ao contrário da narrativa popular, o avanço da IA não substitui o humano — ele o reposiciona. Na Agentic AI, os profissionais industriais não são mais apenas usuários de sistemas, mas coautores da inteligência. Quando um engenheiro alimenta um agente com feedback sobre um risco, quando uma linha de produção registra variações operacionais, ou quando uma equipe ajusta parâmetros de segurança, todos estão ensinando os agentes a pensar melhor.

Essa retroalimentação humana é o combustível do aprendizado contínuo. Como destacou a McKinsey (2025), o verdadeiro impacto da IA não vem de copilotos isolados, mas de ecossistemas integrados de agentes e pessoas que aprendem mutuamente.

Conclusão: o dever industrial na era dos agentes

A indústria sempre foi o motor da transformação tecnológica — da máquina a vapor ao robô colaborativo. Agora, o desafio é de natureza cognitiva: criar as condições para que os agentes floresçam com segurança, propósito e utilidade.

Ao investir em dados bem estruturados, infraestrutura interoperável, governança ética e capacitação humana, as empresas não estarão apenas adotando uma nova tecnologia, mas cocriando uma nova forma de inteligência organizacional — uma inteligência que observa, planeja, age e melhora continuamente.

Porque, no fim, a pergunta não é “o que os agentes podem fazer pela indústria?”, mas “o que a indústria está disposta a fazer pelos agentes — e pelo futuro que eles podem construir conosco?”

Referências

  • Microsoft. Agentic AI 101: What Your Business Needs to Know. Redmond, WA: Microsoft, 2025.
  • McKinsey & Company. Seizing the Agentic AI Advantage. QuantumBlack Report, 2025.
  • Infosys. Tech Navigator: Agentic Enterprise AI Playbook. Knowledge Institute, 2025.
  • Accenture. Technology Vision 2025: AI – A Declaration of Autonomy. Dublin, 2025.
  • KPMG. The Agentic AI Advantage: Unlocking the Next Level of AI Value. New York, 2025.
  • AWS. An Executive’s Guide to Agentic AI. Amazon Web Services, 2025.
*O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.

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Ederson Almeida

Ederson Almeida

Inovação e Inteligência Artificial

Sou Empreendedor, CEO da empresa GAUTICA, Professor e Desenvolvedor de Software com mais de 20 anos de experiência no setor, especializando-me em Inteligência Artificial e Transformação Digital. Atualmente, estou avançando em meu doutorado, focando em utilizar a IA para melhorar a segurança no local de trabalho.

Minha trajetória acadêmica é marcada pelo compromisso com o ensino e a inovação. Ministrei aulas no Mestrado Profissional em Engenharia de Produção, capacitei centenas de programadores e leciono programação avançada no CETEC. Como mentor de inovação, orientei inúmeros jovens em projetos de empreendedorismo através da Junior Achievement, impactando significativamente suas carreiras.

Atuo como palestrante e consultor em IA e transformação digital, impulsionando iniciativas estratégicas que integram tecnologia e objetivos empresariais. A minha segunda empresa, Edertec Academy destaca meu compromisso com a educação e capacitação de profissionais com habilidades de ponta, preparando-os para o cenário digital em evolução.

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