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O uso de Smart Grids na indústria

O conceito de Smart Grids pode ser aplicado para atuar como um gestor do sistema de alimentação das indústrias, garantindo eficiência energética, resiliência de rede e sustentabilidade

Por: Leandro Bertoni      Exclusiva 22/06/2023

Um estudo da consultoria Juniper Research, realizado em 2022, descobriu que os Smart Grids (redes inteligentes) poderão trazer US$125 bilhões em economia de custos na gestão de energia até 2027. Os Smart Grids já são utilizados no setor elétrico para auxiliar no acesso à energia das comunidades vulneráveis. A solução ajuda as empresas de distribuição de energia a monitorar, controlar e gerenciar as redes elétricas de forma mais eficiente, garantindo maior confiabilidade no fornecimento de energia, isso inclui a implementação de medidores inteligentes, automação de rede, gerenciamento de demanda e integração de fontes de energia renovável.

Agora, as indústrias também podem se beneficiar de seu uso, especialmente as que utilizam fontes próprias de energias renováveis. Há um grande potencial ainda não explorado sobre o conceito de Smart Grids, e muitas oportunidades e benefícios ainda subutilizados. Uma das razões, talvez seja o pré-conceito de sua utilização inicialmente em zonas remotas e afastadas dos grandes centros. Porém, na prática, o efeito pode ser ainda mais positivo e impactante, justamente, em grandes centros industriais, com diversos tipos de fontes de energia.  

Nos dias de hoje, a energia se tornou um insumo importantíssimo no processo produtivo. Várias indústrias apostam em fontes alternativas de energia, como as pequenas centrais hidrelétricas, produtores independentes e fontes próprias renováveis, além da fonte convencional de energia, que é a concessionária de sua região. 

Com isso, o conceito de Smart Grids pode ser aplicado para atuar como um gestor do sistema de alimentação das indústrias, ou de comunidades industriais, garantindo: 

  • Eficiência Energética: os algoritmos podem avaliar qual a fonte de energia é a mais econômica naquele momento do dia e fazer o chaveamento, buscando a composição de fontes que tragam a menor conta de energia possível no final do período. 
  • Adicionalmente, pode-se obter, também, eficiência através da Digitalização e uso de Inteligência Artificial (IA) com foco no consumo, chegando, em alguns casos, a reduções de mais de 40% no consumo de energia.
  • Resiliência da Rede: assegurando um sistema mais resistente a oscilações ou falhas, buscando realizar o chaveamento da fonte de energia de modo a evitar interrupções no fornecimento. Muitas indústrias, dependendo de sua natureza, correm o risco de perder toda a matéria-prima comprometida em seu processo produtivo, caso sofram com a interrupção no fornecimento de energia. 
  • Sustentabilidade: há ainda a questão da sustentabilidade, quando o sistema pode ser programado para priorizar a utilização de fontes renováveis de energia, próprias ou de terceiros, reduzindo substancialmente a pegada de carbono da cadeia produtiva.  

Portanto, podemos concluir que os benefícios de se utilizar o conceito de Smarts Grid na indústria são enormes. 


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A tendência que observamos no setor elétrico, atualmente, é um aumento na descentralização da geração de energia, com mais consumidores se tornando geradores, os chamados “prosumers”, além de uma grande procura por fontes de energias alternativas e renováveis, que impactem cada vez menos o ambiente. Ao mesmo tempo, a eficiência é uma obsessão necessária na indústria. Por esta razão, as smart grids são o futuro da produtividade e eficiência energética nos meios de produção.

 

*Imagem de capa: Depositphotos

*O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.

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Leandro Bertoni

Vice-presidente da divisão de Power Systems da Schneider Electric para a América do Sul, com experiência no mercado de tecnologia e, na empresa, é responsável pela área que gere sistemas de energia essenciais e que nunca param, como hospitais e indústrias. Formado em engenharia elétrica pela Universidade Mackenzie, possui MBA em finanças pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e é graduado em educação executiva e estratégia de negócios pela Universidade Harvard.