As quebras de paradigmas de tecnologia por parte das empresas de manufatura

As tendências tecnológicas para as indústrias de manufatura no Brasil.

Por: Rodrigo Solon Exclusiva 16/12/2021

A indústria de manufatura já passou por diversas evoluções e revoluções. Está no passado a ideia de que a única forma que a tecnologia poderia ajudar na indústria seria por meio dos robôs, que automatizariam as fábricas. Hoje em dia já podemos perceber que, na realidade, a tecnologia está presente em diversas áreas no setor e, que toda a cadeia logística da indústria é beneficiada por ela.

Mesmo com um recuo em inovação no setor nos últimos anos, o investimento em tecnologia é essencial para auxiliar no crescimento do setor e nas adaptações às novas tendências de mercado. Para a indústria de manufatura, a tecnologia quando aplicada de forma estratégica e com os softwares de gestão corretos, consegue impactar diretamente de forma positiva a área financeira da empresa, seja por aumentar a produção, tornar a empresa mais eficiente, evitar desperdícios, facilitar os processos de compra ou ao ampliar a capilaridade de atendimento e expansão do negócio.

São diversas as suas aplicações e benefícios. Um ponto de destaque é para a área de Supply Chain (Cadeia de Logística) no Brasil, com os softwares de gestão de transportes para um país com dimensões continentais. Por meio deles é possível criar uma rede de logística mais ágil e eficiente, rastrear itens e pedidos, entre outros. Para este setor, 1% de ganho de eficiência, já pode gerar milhões de reais em economia. Muitas empresas estão investindo na área com a implementação destas e de outras tecnologias, como o IoT (internet das coisas) e machine learning. Seja na cadeia de suprimentos, recursos humanos, na gestão de transportes ou no comércio eletrônico, há um software de gestão para potencializar os resultados da empresa.

Apesar de ainda estar enfrentando os desafios de duas crises econômicas seguidas no país, uma pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria) deste ano mostra que 80% das empresas ouvidas registraram ganhos de produtividade, competitividade e lucratividade decorrentes de inovações. Apenas 1% das indústrias brasileiras inovou e não viu nenhum incremento em seus resultados.


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Como tendência, o que se tem observado foi uma mudança recente no setor acelerada pela pandemia, em que a venda direta com o consumidor (B2C) passou a ser uma possibilidade, algo que antes não era possível, já que as vendas eram sempre realizadas por um distribuidor ou por um parceiro (B2B). Com isso, o varejo passou a fazer parte dos negócios de grandes indústrias, fazendo com que os processos logísticos se integrassem com o e-commerce físico e digital, criando a necessidade ainda de uma maior preocupação com a jornada do consumidor.

Além disso, a indústria percebeu um consumidor mais atento as questões socioambientais, já que ele está mais preocupado com o processo de fabricação de seus produtos e da origem de suas matérias-primas. A ESG (Governança Ambiental, Social e Corporativa, em português), que é um conjunto de boas práticas ambientais, sociais e de governança que as empresas devem adotar para serem mais ambientalmente e socialmente sustentáveis, passou a ser muito relevante para as organizações nos últimos anos. Esse ponto deixou de ser apenas uma pauta paralela e ganhou grande força no Fórum Econômico Mundial de Davos 2020, quando foi pauta central nas discussões dos principais líderes mundiais.  Para a indústria e para todo o ecossistema, isso impactou no aumento da procura por tecnologias da cadeia logística que permitem o rastreio de suas matérias-primas ou que reduzam a emissão de carbono na atmosfera, por exemplo.

Na prática, mesmo com os diversos benefícios que a tecnologia traz para o setor e de ter uma busca pela modernização por parte dos cargos mais altos da empresa, uma pesquisa realizada pela CNI constatou que a falta de informação, em todos os níveis organizacionais da empresa, sobre as tecnologias ainda é a grande barreira para a implementação delas em suas empresas, além da falta de investimento financeiro. Porém, a inovação do setor é inevitável e será necessária para continuarem atendendo o mercado, principalmente diante das novas exigências do mundo no pós-pandemia.

*O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.

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Rodrigo Solon

Vice-presidente de Aplicativos para Oracle Brasil.