Gerenciamento de ferramentas pode ser um diferencial competitivo das indústrias

De forma interna ou terceirizada, a gestão deve contar com uma mudança de mindset nas fábricas para aumentar o tempo de vida útil do ferramental.

Por: Gabriela Pederneiras* Exclusiva 01/11/2021

A globalização e a transformação digital criaram novas concorrências. Além de colocar soluções do mundo todo como opções viáveis de compra, esses fenômenos ainda posicionaram empresas de diferentes setores frente a frente. 

Há poucos anos, quem poderia imaginar que softwares de chamada de vídeo fariam concorrências a hotéis corporativos que abrigavam executivos em suas viagens para reuniões de negócios? Ou ainda, quem poderia dizer que as indústrias automotivas teriam aplicativos de transporte como concorrentes e precisariam rever parte de seu modelo de negócio para atender uma nova demanda criada por eles?

Se a concorrência é maior, o diferencial competitivo também precisa ser. Só assim é possível se destacar e ganhar, ou manter, os consumidores. Para tal, as indústrias precisam ter a maior eficiência possível — gastar menos, para produzir com a mesma qualidade e ainda manter preços competitivos no mercado. 

O gerenciamento de ferramentas permite que se alcance esse objetivo. A aquisição dos ferramentais representa cerca de 3% a 5% do custo total da fabricação. Porém, além disso, existe todo o custo na manutenção das ferramentas. Sendo assim, se as indústrias não apresentam políticas para gerenciar e potencializar a vida útil das ferramentas, seu custo aumenta, o que impacta no encarecimento dos produtos e diminuição da competitividade.

Ainda há o custo indireto que a falta de um gerenciamento de ferramentas eficiente causa. Ferramentas de corte desgastadas, por exemplo, comprometem a qualidade do produto final, o que também impacta na sua competitividade. 

Como fazer um gerenciamento de ferramentas e ser mais competitivo?

“Alguns autores o definem [o gerenciamento de ferramentas] como uma estratégia que visa a resolução dos problemas relacionados às várias atividades que envolvem o uso de ferramentas, incluindo aquisição, armazenagem, desenvolvimento de base de dados de ferramentas, seleção e alocação de ferramentas, inspeção, preparação (preset), entrega às linhas, troca, monitoramento e controle de inventário. Colocam ainda que o gerenciamento de ferramentas é uma abordagem organizada visando garantir as ferramentas disponíveis para atingir os objetivos da produção, contribuindo para o aumento da produtividade e eficiência”, de acordo com um artigo de  Alexandre Favaretto e Márcio Rezende, especialistas no assunto.


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O gerenciamento de ferramentas, portanto, engloba questões técnicas, logísticas, estratégicas e mudança de mindset nas fábricas. É preciso ter o controle de quais as reais necessidades de novas compras, quais ferramentas estão se tornando obsoletas - e tirá-las de operação antes de comprometerem as produção - ,  quais ferramentas estão em operação, quais estão no estoque, quem está responsável por qual ferramenta, como é feito o transporte delas, quais as novidades do mercado, previsão de gastos com novas aquisições, entre outros.

Para tal, é preciso que todos tenham espírito de dono. Ou seja, quem se relaciona com as ferramentas precisa ter responsabilidade sob elas. Isso permite evitar mau uso, perda de equipamentos e armazenagem incorreta.

O trabalho é complexo e extenso, por isso, muitas indústrias buscam parceiros para terceirizá-lo. Porém, mesmo se essa for a estratégia da fábrica, é preciso desenvolver a filosofia interna de gerenciamento de ferramentas. 

“Para que um processo de terceirização do gerenciamento de ferramentas seja realizado com sucesso, trazendo ganhos reais, é de grande importância que a empresa contratante detenha o know-how internamente e tenha conhecimento detalhado de seus custos com a administração de ferramentas. Muitas empresas, com o desejo de “transferir o problema” e transformar seus custos com ferramentas - muitas vezes desconhecidos - em custos fixos, optam pela terceirização completa e apressam sua implementação, podendo trazer prejuízos para ambas as partes. Nesse caso, as probabilidades de sucesso são muito reduzidas.”, alertam os autores. 

O que esperar do gerenciamento de ferramentas? 

Para tornar o gerenciamento de ferramentas um diferencial competitivo real, portanto, é preciso garantir que ele, de acordo com Boogert (1994):

  •    Minimize os distúrbios no processo de produção;
  •    Maximize a utilização dos recursos (máquinas e ferramentas);
  •    Reduza o número de refugos;
  •    Reduza os custos gerais com ferramentas pela padronização e racionalização.

A decisão de internalizar ou terceirizar o processo depende do cálculo de custo-benefício de cada indústria. De acordo com um artigo assinado por José Luiz Polis, é preciso fazer uma análise sob os processos: 

  • De ordem operacional: são as dificuldades encontradas pelos processistas e programadores na etapa de planejamento do processo e controle da produção, bem como as dificuldades relacionadas com os operadores de máquinas e funcionários do almoxarifado para a identificação, localização e preparação das ferramentas.
  • De ordem administrativa: referem-se às dificuldades nas operações de organização, armazenamento, manutenção de estoques e realização de compras de ferramentas.
  • De ordem técnica: estão associados com os aspectos tecnológicos, como otimização das condições de usinagem, intercambialidade entre ferramentas e acessórios, monitoramento de desgaste e realização de manutenção e reafiação.

Olhando para esses tópicos e desenvolvendo uma filosofia de gerenciamento de ferramentas, cada indústria deve achar qual formato melhor funciona para minimizar os custos com ferramental e aumentar sua competitividade no mercado, seja ele por conta própria, seja com ajuda externa.

 

*Artigo desenvolvido com exclusividade para a Adeptmec.

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*O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.

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Gabriela Pederneiras*

Redatora/Jornalista/Assessora de Imprensa