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Canal Indústria 4.0

Sistema MES: como identificar se a fábrica perdeu visibilidade sobre a produção

Apontamentos manuais, atrasos para identificar paradas e OEE calculado tarde demais são sinais de que a gestão da produção pode estar olhando mais para o passado do que para o que acontece no chão de fábrica

Por: Redação Grupo CIMM/ Especial para MOCX      Exclusiva  

Uma forma simples de avaliar se a fábrica precisa considerar um sistema MES é responder a três perguntas: quanto a planta produziu na última hora? Qual é o OEE de cada linha neste momento? Por que a máquina mais importante parou na última vez?

Segundo Edner Junior, diretor geral da MOCX Engenharia, o sinal mais claro aparece quando a gestão não consegue acessar essas informações em tempo real. “Se o gestor não consegue responder agora, sem ligar para ninguém, quanto a sua fábrica produziu na última hora e por que a linha parou às 14h, por exemplo, a operação já está rodando no escuro”, afirma.

Na prática, a falta de visibilidade aparece em cenas recorrentes: o supervisor passa a manhã ligando ou andando pelo chão de fábrica para descobrir por que a linha parou; o apontamento de produção é preenchido no fim do turno, de memória, em papel ou planilha; e o OEE, quando existe, aparece apenas no fim do mês, em um relatório útil para prestar contas, mas pouco eficiente para tomar decisão durante a operação.

Outro sinal é a dificuldade de explicar a diferença entre o que foi planejado e o que realmente saiu da linha. A empresa sabe que produziu menos, mas não identifica com clareza quando o desvio aconteceu nem qual foi o motivo.

ERP não substitui a visão do chão de fábrica

O problema não está necessariamente no ERP. A questão é esperar que ele responda a perguntas para as quais não foi desenhado. “O ERP é uma ferramenta excelente, mas para o que ela foi feita”, diz Junior. “Ela registra o que foi planejado, e o que foi faturado, não o que está acontecendo e nem a veracidade disto. Os problemas que mais encontramos vem sempre dessa lacuna”.

Essa lacuna aparece quando a informação chega horas ou dias depois do ocorrido, quando microparadas ficam invisíveis ou quando a planilha mostra que a produção foi menor, mas não identifica a causa-raiz. Também pode ocorrer quando uma ordem de produção cadastrada para um equipamento mais performático roda, na prática, em outro equipamento, gerando distorções no custo real de fabricação.


Outro sinal de alerta está nas frases que se repetem até virarem parte da cultura da fábrica: “essa linha sempre para um pouco no começo do turno”, “esse equipamento sempre demora um pouco mais para começar a produzir”, “pelo barulho eu sei que ela está fora do ritmo”, “esse operador é o único que sabe operar esta máquina” ou “um pouco de retrabalho faz parte do nosso processo”.

Para Junior, “o papel do MES é transformar esse ‘normal’ em um número”. Ao medir paradas, perdas e desvios, a empresa deixa de depender apenas da memória das pessoas ou da percepção individual de quem acompanha a operação.

O que muda com dados em tempo real

Com dados em tempo real, a mudança não é apenas de ferramenta, mas de postura. Na produção, o operador passa a acompanhar meta versus realidade durante o turno e consegue reagir mais rapidamente. No PCP, o sequenciamento passa a considerar a capacidade real de cada linha, e a previsão de término de uma ordem deixa de ser um chute.

Na manutenção, indicadores como MTBF e MTTR passam a apoiar decisões baseadas na condição real dos equipamentos. Microparadas recorrentes podem virar alertas antes de se transformarem em falhas maiores. Já a gestão passa a ter visão consolidada da planta e a rotina migra para a gestão por exceção: em vez de procurar o problema o tempo todo, a liderança é acionada quando algo foge do padrão.

Por isso, o primeiro ganho costuma aparecer na disponibilidade, segundo Junior. Quando uma parada se torna visível e o motivo passa a ser apontado, as causas mais evidentes começam a ser atacadas. Como consequência, o OEE global tende a subir e microparadas antes invisíveis passam a ser quantificadas.

O especialista cita ainda um efeito comportamental: “o simples ato de medir e expor o desempenho, com gestão à vista, já muda a forma como as pessoas trabalham”. Esse movimento também mudou a forma como a indústria avalia o investimento em MES. Em vez de partir necessariamente de um projeto amplo, caro e de longa implantação, muitas empresas passaram a buscar ganhos pontuais de visibilidade, começando por linhas críticas, gargalos de produção ou equipamentos com maior impacto no resultado.

Além disso, com cloud, IoT industrial de baixo custo e plataformas em modelo SaaS, a implantação pode começar de forma modular, por uma única linha, e expandir conforme os resultados aparecem. “O investimento deixou de ser um salto no escuro e virou uma escada”, resume Junior. Para ele, o tamanho da empresa não é o que define a necessidade de um MES, mas a pressão por margem, controle e previsibilidade.

Checklist: sua fábrica já precisa de um sistema MES?

  • Os apontamentos ainda são manuais, em papel ou planilha.
  • Você demora para descobrir que uma linha parou.
  • Quando descobre a parada, ninguém sabe explicar o motivo real.
  • O OEE é calculado somente depois do turno.
  • O PCP não consegue prever com confiança quando uma ordem vai terminar.
  • A manutenção acontece apenas depois da falha.
  • Existem divergências entre ERP e produção real.
  • Você não consegue medir microparadas.
  • A diretoria não consegue visualizar a fábrica em tempo real.
  • Refugo e retrabalho não têm rastreabilidade de causa.
  • As metas só são cobradas no fim do mês, sem acompanhamento ao longo do turno.
  • A operação depende da memória e da experiência de uma pessoa específica.
  • A diretoria não consegue visualizar a fábrica em tempo real, de qualquer lugar.

Como interpretar o resultado

1 a 2 itens marcados: sua fábrica tem pontos cegos que já custam dinheiro. Vale começar a medir.
3 a 5 itens marcados: sua operação já está funcionando no escuro em áreas críticas. Um MES pode trazer retorno rápido.
6 ou mais itens marcados: você não está gerindo sua produção, está reagindo a ela. Nesse cenário, um MES deixa de ser apenas uma opção tecnológica e passa a ser uma urgência competitiva.

*Imagem de capa: Depositphotos.com

Descubra como um MES pode ajudar sua fábrica


* Esta empresa é parceira do Grupo CIMM

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